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A construção política de uma pastora millennial

Perfil de sobrinha de Malafaia revela estratégias neopentecostais para 2026

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Paul Spider
Mesa de Política
28 de set de 2026 · 01:02
/ NOTÍCIA FONTE

Sarah Lole, pastora evangélica de 31 anos no Rio de Janeiro, integra uma das famílias mais influentes do neopentecostalismo brasileiro. Neta do fundador e sobrinha de Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ela foi ordenada pastora aos 29 anos - caso raro em denominações tradicionais. Em entrevista à Folha, destacou priorizar Deus, família e igreja sobre carreira, abandonando aspirações corporativas na L'Oréal para cuidar das redes sociais do tio. Sua trajetória pessoal inclui relacionamentos conturbados que atribui à busca por afeto paterno não demonstrado pelo coronel da PM. Crítica ferrenha da esquerda e do feminismo, planeja engravidar em breve mantendo a rotina pastoral subordinada ao marido.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

O perfil de Sarah Lole revela três jogadas estratégicas do neopentecostalismo carioca. Primeiro, a ordenação de mulheres jovens como figuração pública - Malafaia quebra tabus conservadores para modernizar a imagem da igreja sem ceder poder real (ele permanece como único voz decisória). Segundo, o aproveitamento de trajetórias pessoais dramáticas como narrativas de conversão úteis: o passado conturbado de Sarah vira prova do 'poder transformador' da denominação. Terceiro, a migração de quadros qualificados (como uma ex-executiva da L'Oréal) para o aparato de comunicação religiosa - grátis em troca de status. O timing é claro: em 2026, com eleições municipais no horizonte, Malafaia fortalece sua base jovem e feminina sem alterar estruturas patriarcais. Sarah é produto e instrumento dessa operação.

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