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A Encenação do Arquivo: Musical sobre Pitanga testa limites entre homenagem e redução

Em projeto liderado por Jô Santana e Rodrigo França, a complexidade de 6 décadas de trajetória artística e política enfrenta os constrangimentos do gênero biográfico

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J
John Music
Mesa de Cultura
02 de out de 2026 · 04:03

A indústria da homenagem póstuma produz seus efeitos colaterais: ao anunciar 'Pitanga, O Musical', Jô Santana e Rodrigo França assumem a ingrata tarefa de comprimir em números musicais a trajetória multifacetada de um artista que foi ao mesmo tempo ícone do Cinema Novo, militante do Movimento Negro Unificado e ponte entre vanguardas teatrais e cultura popular. O risco não é a falta de mérito — Santana já provou competência na Trilogia do Samba — mas a inevitável simplificação que o gênero biográfico impõe. Ao transpor para o palco um homem cuja arte sempre contestou formatos fáceis, a equipe precisará escolher: celebrar o mito ou investigar as contradições? A estreia em Salvador em 2027, seguida por Rio e São Paulo, sugere um projeto de legitimação institucional. Resta saber se o espetáculo ousará mostrar o Pitanga que desafiou ditaduras estéticas e políticas, ou se contentará em emoldurar uma trajetória já canonizada. Em tempos de revisionismos históricos, até as homenagens precisam de autocrítica.

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