América Latina e Caribe buscam estratégia comum para IA diante de investimento mínimo global
Chanceler uruguaio propõe união regional para enfrentar domínio tecnológico de EUA, China e UE
O chanceler uruguaio Mario Lubetkin destacou durante o Fórum Ministerial de Ciência, Tecnologia e Inovação da América Latina e Caribe que a região responde por apenas 1,2% do investimento global em inteligência artificial (IA). O evento, realizado em Montevidéu, reuniu representantes de 23 países para discutir estratégias conjuntas no setor. Lubetkin enfatizou a necessidade de uma abordagem regional unificada para fomentar o desenvolvimento tecnológico e reduzir a dependência de países desenvolvidos. Ele também ressaltou o exemplo do Uruguai, que possui uma matriz elétrica 100% renovável, como um modelo a ser seguido na transição para uma economia mais sustentável e tecnologicamente avançada. A declaração ocorre em um contexto global de acelerada corrida pela liderança em IA, dominada por Estados Unidos, China e União Europeia.
A ênfase de Lubetkin em uma estratégia comum para IA na América Latina e Caribe reflete uma clara percepção de desvantagem estrutural. Com apenas 1,2% dos investimentos globais, a região está relegada ao papel de mera consumidora de tecnologias desenvolvidas em outros lugares. O chamado à união tem como objetivo principal criar escala para atrair investimentos externos e negociar em bloco com grandes players tecnológicos. O exemplo uruguaio da matriz renovável é estratégico: além de ser um diferencial competitivo para atrair data centers, serve como moeda de troca em negociações climáticas globais. O timing é crítico — com a IA se tornando cada vez mais central para a economia mundial, a região corre o risco de consolidar sua posição periférica se não agir rapidamente. A proposta uruguaia enfrenta, porém, desafios internos, como a falta de coordenação política entre países e a competição por projetos estratégicos.