Anne Hathaway e a Arte do Regresso ao Inusitado
De dinossauros suburbanos a Robin Hood moribundo, o cinema atual repete fórmulas com verniz de risco
Anne Hathaway persiste no equilíbrio precário entre prestígio e bilheteria. Em 'O Fim da Rua', a atriz que transitou de Miranda Priestly à Penélope de 'A Odisseia' agora enfrenta dinossauros dimensionais — uma aposta que mistura o surrealismo de David Robert Mitchell ('It Follows') com a segurança de criaturas CGI. O filme chega junto com 'A Morte de Robin Hood', onde Hugh Jackman enterra de vez o arquétipo do herói folclórico alegre, seguindo a tendência pós-'The Batman' de desconstrução cansativa. Enquanto isso, o interessante parece estar nas margens: 'Acampamento Miasma' subverte o terror LGBTQIA+ com Gillian Anderson como fantasma geracional, e 'Honestino' resgata a memória política através do documentário ficcionalizado. Hathaway e Jackman representam a indústria midiando entre nostalgia e pretensão de originalidade — dinossauros e arqueiros moribundos como metáforas de um cinema que evita seu próprio cretáceo criativo.