Apple considera reinvenção radical do Apple Watch em meio a pressão competitiva
Mudanças vão desde modelos sem tela até novos formatos, em estratégia para recuperar impulso em wearables
A Apple está considerando mudanças radicais no design do Apple Watch, incluindo modelos sem tela e diferentes formatos de display, segundo informações exclusivas do jornalista Mark Gurman, da Bloomberg. A revisão do design faz parte de uma estratégia para preparar o relógio inteligente para uma nova fase e responder à crescente concorrência no mercado de wearables, especialmente com a popularização de anéis inteligentes e dispositivos de monitoramento físico sem tela.
Entre as possibilidades estudadas está um dispositivo inspirado no Apple Watch, mas sem qualquer tela, acompanhando a tendência de pulseiras de atividade mais minimalistas. A empresa também avalia mudanças no formato tradicional, incluindo um mostrador circular, embora essa versão tenha menos chances de chegar ao mercado. Além disso, a Apple estuda expandir a hierarquia de preços, com modelos mais sofisticados acima da linha Ultra e Hermès, e opções mais acessíveis além do SE.
A revisão não se limita ao hardware: a Apple planeja integrar mais recursos de inteligência artificial nos wearables e reformular o aplicativo Saúde, fortalecendo esse ecossistema. As mudanças ocorrem em um momento em que a divisão de Wearables, Home and Accessories enfrenta dificuldades para manter o crescimento, tornando a reinvenção do Apple Watch parte de um esforço maior para revitalizar a área. O timing também coincide com a aproximação do principal evento anual da Apple, em setembro, quando a empresa tradicionalmente apresenta novos iPhones.
A aparente ousadia da Apple em repensar radicalmente o Apple Watch esconde uma jogada defensiva. O mercado de wearables está se fragmentando: de um lado, anéis inteligentes como o Oura conquistam usuários que priorizam discrição; de outro, fabricantes chinesas dominam o segmento acessível. A Apple, presa ao sucesso do design retangular do Watch, vê sua fatia ameaçada.
A estratégia de expandir a hierarquia de preços revela o dilema: como manter premiumização sem perder mercado para rivais com preços 80% menores. O modelo sem tela é um reconhecimento tácito de que, para muitos, um relógio inteligente é apenas um sensor com pulseira. A IA surge como diferencial num hardware que já não basta.
O timing não é acidental. A divisão de wearables cresceu apenas 3% no último trimestre, contra 15% dos serviços. Reposicionar o Watch antes do evento de setembro permite à Apple controlar a narrativa em meio a expectativas mornoas sobre o iPhone 16. A jogada lembra 2013, quando lançou o 5C para frear a ascensão Android - com a diferença que agora o risco vem de todos os lados.