Câncer de mama em homens é descoberto tarde no oeste do PR
HUOP registra 80% dos casos masculinos em estágios avançados; preconceito é barreira
Homens diagnosticados com câncer de mama no oeste do Paraná costumam descobrir a doença em estágios mais avançados que as mulheres. Dados do Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), em Cascavel, mostram que 80% dos casos masculinos chegam em fases 3 ou 4, quando o tumor já está disseminado. Enquanto isso, entre as mulheres, 60% dos diagnósticos ocorrem nos estágios iniciais. O oncologista Dr. Rafael Mendes explica que o preconceito e a falta de informação são os principais fatores. 'Muitos homens ainda associam o câncer de mama exclusivamente ao público feminino e demoram a procurar ajuda médica quando notam sintomas', afirma. Em 2022, o HUOP registrou 15 casos de câncer de mama em homens, número que representa cerca de 1% do total de diagnósticos da doença na instituição.
A realidade do câncer de mama masculino no oeste do Paraná reflete um desafio cultural e de saúde pública. A região, fortemente marcada pelo agronegócio e por uma cultura tradicional, enfrenta barreiras na conscientização sobre doenças que fogem ao estereótipo de gênero. O HUOP, referência em oncologia para mais de 50 municípios, tem investido em campanhas específicas durante o Outubro Rosa, mas o alcance ainda é limitado. A falta de políticas públicas direcionadas ao público masculino, somada à escassez de materiais informativos, contribui para o diagnóstico tardio. Além disso, a região carece de especialistas em câncer de mama masculino, o que aumenta a dependência de centros maiores como Curitiba. O cenário exige uma abordagem intersetorial, envolvendo prefeituras, consórcios de saúde e entidades como o AMOP, para ampliar o acesso à informação e aos serviços de diagnóstico precoce.