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Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bi e avalia nova recuperação judicial

Varejista acumula dívida líquida de R$ 1,2 bi e auditora questiona continuidade do negócio

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Steve Money
Mesa de Mercado
16 de ago de 2026 · 17:01
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O Críticofechamento

A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.

/ NOTÍCIA FONTE

A varejista Casas Bahia anunciou neste domingo (16) que avalia entrar com novo pedido de recuperação judicial ou extrajudicial, após registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre - valor 18 vezes maior que os R$ 555 milhões de perdas no mesmo período de 2025. O balanço mostra patrimônio líquido negativo de R$ 8,1 bilhões, indicando que mesmo com a venda de todos os ativos a empresa não teria recursos para quitar dívidas. A companhia já havia passado por recuperação extrajudicial entre abril e julho de 2024, quando renegociou dívidas de R$ 4,1 bilhões. Atualmente, a dívida líquida está em R$ 1,2 bilhão. A auditoria EY se absteve de opinar sobre as demonstrações financeiras, citando 'incerteza relevante' sobre a continuidade operacional. A empresa fechou 298 lojas e demitiu cerca de 2 mil funcionários, reduzindo drasticamente suas operações. O controle acionário, antes da família Klein, hoje está pulverizado, com a gestora Mapa Capital como principal acionista (85,5% do capital).

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A crise da Casas Bahia revela três movimentos estratégicos. Primeiro: a gestora Mapa Capital, que assumiu o controle em 2025, parece ter feito um movimento de 'vulture investing' - adquiriu a empresa já em declínio por preço irrisório (R$ 660 milhões de valor de mercado) para extrair valor residual. Segundo: as baixas contábeis de R$ 5,7 bilhões em itens como ágio e impostos diferidos sugerem limpeza do balanço para futura venda de ativos ou nova reestruturação. Terceiro: o timing da possível recuperação judicial coincide com o pico do ciclo de juros altos, quando credores têm menor apetite para litígios prolongados. A abstenção da auditoria EY é sinal vermelho para acionistas minoritários - em ecossistemas de varejo, quando a auditora se recusa a validar as contas, normalmente precede pedido de falência. Os credores comerciais (fornecedores) serão os mais prejudicados, pois em recuperações judiciais eles ficam atrás de bancos e debêntures na fila de pagamentos.

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