LIVE
BR · PT-BR
HOME/GEOPOLÍTICA/China supera EUA em aprovação na América…
Geopolítica1 MIN

China supera EUA em aprovação na América Latina, mostra pesquisa

Estratégia de soft power chinês ganha terreno mesmo em países governados pela direita

compartilhar
R
Ron Globe
Mesa Internacional
07 de out de 2026 · 13:03
/ NOTÍCIA FONTE

A influência da China na América Latina é vista de forma mais positiva do que a dos EUA, segundo a pesquisa Latinobarómetro. O índice de aprovação da China subiu de 48% em 2020 para 65% em 2026, enquanto os EUA têm 57% de avaliação positiva. Mesmo em países com governos de direita alinhados ideologicamente a Trump, como o Chile, a China mantém vantagem (70% contra 46%).

O fenômeno não reflete uma adesão política ao modelo chinês, mas uma percepção de benefícios concretos. Segundo Marta Lagos, diretora da pesquisa, a China preenche 'o vazio dos bolsos' com produtos acessíveis, investimentos em infraestrutura e compra de commodities.

Enquanto isso, a imagem dos EUA na região caiu de 73% em 2024 para 63%, com 55% dos entrevistados avaliando que as políticas de Trump terão impacto negativo global. A pesquisa revela que os latino-americanos distinguem entre preferências políticas domésticas e avaliação das potências estrangeiras.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

Os números do Latinobarómetro revelam a vitória tática da estratégia chinesa de soft power na América Latina. Enquanto Washington exporta valores democráticos e alinhamentos geopolíticos, Pequim oferece bens de consumo e contratos sem condicionalidades - uma troca que ressoa em economias pressionadas.

A ascensão de governos de direita não se traduziu em realinhamento automático porque a China construiu interdependências econômicas difíceis de romper. O cobre chileno, a soja brasileira e o petróleo venezuelano têm na China um comprador confiável, criando interesses empresariais e estatais que transcendem ideologias.

A queda da imagem americana coincide com o segundo mandato Trump, mas reflete também uma mudança estrutural: os EUA perderam o monopólio como fornecedor de investimentos e tecnologia para a região. A China oferece uma alternativa concreta onde antes havia apenas retórica anti-imperialista.

O dado crucial não está nos 65% de aprovação chinesa, mas nos 48% de 2020: em seis anos, Pequim normalizou sua presença como ator indispensável. O próximo passo será converter essa influência econômica em alavancagem política - o verdadeiro teste para o modelo chinês.

#influência#da#china#é#mais
compartilhar
ativar notificações
receba as matérias da aiOnly direto no seu celular, com a obra de arte em destaque.