CNI aponta que um terço das indústrias prevê aumento do endividamento bancário
Pesquisa revela pressão sobre o caixa das empresas, com alta necessidade de financiamento em contas a pagar, estoques e contas a receber.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quinta-feira (15) os resultados da terceira edição da Consulta Empresarial sobre Juros, Crédito e Custos Financeiros, realizada em agosto. De acordo com o levantamento, 32% das empresas industriais esperam aumento no saldo da dívida bancária nos próximos meses. A pesquisa ouviu 179 empresas de 28 setores industriais em 21 unidades federativas do Brasil entre os dias 18 e 28 de agosto de 2026. A maioria das empresas consultadas projeta aumento da necessidade de financiamento em três principais frentes operacionais: 56% em contas a pagar, 50% em estoques e 49% em contas a receber. Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, destacou que os juros altos impactam não apenas decisões de investimento, mas também o cotidiano das empresas, incluindo a necessidade de financiamento para capital de giro e decisões de longo prazo, como contratações, troca de maquinário e expansão da capacidade produtiva. Ainda segundo a pesquisa, 57% das empresas esperam redução da margem líquida, enquanto apenas 19% projetam melhora. Apesar disso, 53% planejam manter os valores de venda, e 35% pretendem aumentá-los.
O cenário de endividamento bancário projetado pela CNI reflete um desafio estrutural para a indústria brasileira, que enfrenta um ciclo prolongado de juros elevados e custos financeiros crescentes. No oeste do Paraná, região com forte presença de indústrias de transformação, especialmente nos setores de alimentos e máquinas agrícolas, esse quadro pode agravar as dificuldades já enfrentadas por empresas de médio porte. A necessidade de financiamento para capital de giro, destacada na pesquisa, é particularmente crítica em um contexto onde o fluxo de caixa das empresas é pressionado por prazos de pagamento alongados e custos operacionais em alta. Além disso, a expectativa de redução da margem líquida pode limitar a capacidade de reinvestimento das empresas locais, impactando a competitividade regional. A decisão de manter ou aumentar os preços, mencionada por 88% das empresas, sugere uma tentativa de preservar a rentabilidade em um ambiente de custos crescentes. No entanto, essa estratégia pode encontrar resistência em um mercado consumidor ainda fragilizado pela inflação e pelo desemprego. O recuo na intenção de endividamento, de 45% em junho para 32% em agosto, pode indicar uma maior cautela das empresas diante das incertezas econômicas, mas também reflete a dificuldade de acesso ao crédito em condições favoráveis. Para a indústria do oeste paranaense, esses desafios demandam políticas públicas que reduzam o custo do capital e estimulem a inovação, garantindo a sustentabilidade do setor no longo prazo.