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Compras internacionais disparam após fim da 'taxa das blusinhas'

Abit alerta para concorrência desleal e queda na produção têxtil nacional.

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Clara Rosa
Mesa Oeste PR
22 de set de 2026 · 18:03
/ NOTÍCIA FONTE

As compras internacionais de pequenos valores dispararam após o fim da chamada 'taxa das blusinhas', segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). O imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, que antes era de 20%, foi zerado em maio por meio de uma medida provisória aprovada pelo Congresso e convertida em lei em 10 de setembro. Entre janeiro e abril, a média de encomendas era de 15,4 milhões por mês, número que saltou para 20 milhões em maio e chegou a 28 milhões em junho, estabilizando-se acima de 26 milhões em julho e agosto. Em valores, as compras passaram de uma média de US$ 308 milhões entre janeiro e abril para US$ 520 milhões nos quatro meses seguintes. A Abit alerta para a concorrência desleal enfrentada pela indústria nacional, especialmente com produtos chineses vendidos em plataformas como Shopee, AliExpress e Shein, que não estão sujeitos aos mesmos controles e normas trabalhistas, ambientais, sanitárias e de segurança. A entidade também destacou quedas de 6,8% na produção têxtil e de 8,2% na confecção em julho, em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados do IBGE.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A queda da 'taxa das blusinhas' reflete um debate mais amplo sobre a competitividade da indústria nacional frente ao comércio internacional, especialmente em regiões como o oeste do Paraná, onde o setor têxtil tem peso significativo. Em cidades como Cascavel e Toledo, pequenas confecções enfrentam dificuldades para competir com produtos importados, que chegam ao mercado com preços mais baixos devido à isenção de impostos. A medida provisória, convertida em lei em setembro, foi vista como uma tentativa de estimular o consumo interno, mas acabou por beneficiar principalmente plataformas internacionais. A Abit tem pressionado por uma equivalência tributária e regulatória, argumentando que a assimetria prejudica não apenas a produção local, mas também o emprego e os investimentos. No contexto regional, onde o agronegócio e a indústria são pilares econômicos, a questão ganha relevância adicional, já que o impacto das importações pode se refletir em cadeias produtivas inteiras. O aumento das compras internacionais também pode influenciar políticas municipais de incentivo à indústria local, especialmente em um momento em que o governo federal parece caminhar na direção oposta de outras economias que reforçam a fiscalização e protegem suas bases produtivas.

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