Defesa de Vorcaro usa crise no STF como estratégia para pedir liberdade
Advogados vinculam caso à indefinição sobre Moraes, explorando divisões na corte
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A defesa de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ingressou com novo pedido de liberdade nesta quarta-feira (16) junto ao ministro Edson Fachin, do STF. Os advogados alegam que seu cliente está preso há mais de 90 dias sem nova fundamentação para a prisão preventiva, além de recursos anteriores não terem sido analisados. A estratégia da defesa foi vincular o caso à indefinição sobre a investigação do ministro Alexandre de Moraes no caso Master e à relatoria de Fachin, argumentando que não há conexão com autoridades com foro privilegiado. Henrique Vorcaro é acusado pela Polícia Federal de integrar 'A Turma', grupo que supostamente coagia adversários do Master com informações vazadas da PGR. A defesa também citou problemas de saúde do empresário, de 64 anos, que sofre de diverticulite recorrente.
O timing do pedido não é acidental: a defesa joga no tabuleiro a crise institucional do STF, onde Fachin e Moraes travam disputas silenciosas sobre competências. Ao citar a indefinição do caso Master, os advogados exploram a fragilidade do tribunal - onde ministros evitam julgar pautas que podem abrir precedentes contra colegas. A estratégia é clara: pressionar por uma decisão técnica antes que o STF defina os rumos do próprio Moraes, o que poderia endurecer a jurisprudência sobre vazamentos. Os 90 dias de prisão sem julgamento são o calcanhar de Aquiles do ministério público, que precisa mostrar resultados na Operação Compliance Zero, mas enfrenta resistência do STF em validar prisões prolongadas sem sentença - exatamente o que aconteceu na Lava Jato. O tabuleiro tem mais peças: Mendonça, primeiro relator inerte, foi indicado por Bolsonaro e não tem interesse em acelerar um caso que envolve vazamentos da PGR - órgão que agora investiga o próprio ex-presidente.