Desenrola 3.0: governo Lula compra dívidas para aliviar famílias
Programa de R$ 15 bi visa reduzir endividamento às vésperas das eleições
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O governo Lula anunciou uma nova edição do programa Desenrola, desta vez com uma proposta que envolve a compra direta de dívidas das famílias brasileiras junto aos bancos. Batizado de Desenrola 3.0, o programa prevê a aquisição de dívidas com descontos de até 90%, pagando apenas uma fração do valor total. O objetivo é aliviar o orçamento das famílias endividadas, especialmente aquelas com débitos em atraso de dois a quatro anos e meio. O governo pretende alcançar até 15 milhões de pessoas, com foco em dívidas de cartão de crédito, crédito pessoal e modalidades rotativas, excluindo os consignados. A carteira de dívidas alvo soma R$ 300 bilhões, e a expectativa é que o governo consiga retirar metade desse valor do mercado, pagando cerca de R$ 15 bilhões. Os leilões para a compra das dívidas devem começar em novembro, após as eleições de outubro, e o processo deve ser concluído até fevereiro de 2027. O anúncio foi feito em conjunto com a proibição das plataformas de apostas online, medida vista como parte de um esforço eleitoral do governo frente a uma disputa presidencial acirrada com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O Desenrola 3.0 não é apenas um programa de alívio financeiro para as famílias, mas uma jogada estratégica num cenário eleitoral polarizado. O timing do anúncio, às vésperas das eleições, sugere uma tentativa de capitalizar politicamente o alívio de dívidas. Ao assumir o papel de intermediário entre bancos e devedores, o governo concentra em si o poder de negociar descontos que antes eram individuais, fortalecendo sua narrativa de 'protetor das famílias'. Os bancos, por sua vez, têm um incentivo claro: livrar-se de dívidas de difícil recuperação, mesmo que a preços baixos. A omissão sobre o destino final dessas dívidas — se serão perdoadas ou cobradas — deixa espaço para manobras futuras, possivelmente condicionadas ao cenário político pós-eleição. Além disso, a proibição das apostas online, anunciada no mesmo pacote, parece buscar agradar um eleitorado conservador, equilibrando a imagem de um governo que também promete austeridade fiscal. O programa, portanto, é menos sobre resolver problemas financeiros e mais sobre consolidar bases eleitorais em um momento crucial.