Dois anos do acidente da Voepass trazem mudanças à aviação regional
Investigação aponta falhas sistêmicas e pressiona por novas normas de segurança em aeronaves ATR
O acidente com o voo da Voepass em Vinhedo (SP), ocorrido em 9 de agosto de 2024, completa dois anos nesta semana com investigações que apontam para mudanças na aviação regional. O avião ATR 72-500, que partiu de Cascavel com destino a São Paulo, vitimou 62 pessoas, incluindo passageiros do oeste paranaense. O relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) emitiu nove recomendações técnicas à fabricante ATR e à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), destacando a necessidade de revisão nos sistemas de alerta aos pilotos e procedimentos para voo em condições de formação de gelo - fator crítico no acidente. A Polícia Federal indiciou 16 pessoas entre funcionários e ex-funcionários da Voepass, apontando cultura organizacional que priorizava disponibilidade da frota sobre segurança. André Ribeiro, delegado da PF em Campinas, destacou a integração entre polícia e órgãos técnicos como marco nas investigações.
O acidente da Voepass reverbera especialmente no eixo Cascavel-São Paulo, rota crítica para executivos do agronegócio e profissionais de saúde que dependem de conexões aéreas. O aeroporto de Cascavel, administrado pelo município através da Socicam, registrou queda de 23% no movimento de passageiros nos seis meses seguintes ao acidente, segundo dados da Anac. A tragédia ocorreu em momento sensível para a aviação regional: a Voepass havia assumido rotas da antiga Passaredo em 2023, incluindo voos diários para Curitiba e São Paulo a partir de cidades como Toledo e Foz do Iguaçu. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que as recomendações do Cenipa podem impactar diretamente operações no Paraná, onde 42% dos voos regionais usam modelos ATR. O caso também reacendeu debates sobre a necessidade de modernização do sistema de controle de tráfego aéreo em aeroportos menores da região, como os de Marechal Cândido Rondon e Guaíra, que operam próximo à fronteira.