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EMS tenta dobrar imposto sobre canetas rivais após entrar no mercado de emagrecedores

Farmacêutica brasileira pede taxação de 15% sobre importados meses após obter isenção para componentes próprios

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Steve Money
Mesa de Mercado
01 de out de 2026 · 14:04
/ NOTÍCIA FONTE

A EMS, maior farmacêutica brasileira, solicitou à Camex aumento de 108% na alíquota de importação de canetas emagrecedoras prontas, de 7,2% para 15%. O pedido ocorre após o lançamento de sua própria linha de medicamentos com semaglutida, substância presente em concorrentes como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk. A empresa alega assimetria tributária entre produtos acabados (7,2%) e componentes (12%-18%), e cita concorrência de medicamentos indianos com preços mais baixos. Curiosamente, a EMS beneficia-se desde março de isenção tributária para importação de componentes necessários à fabricação local. O pleito pode afetar também medicamentos com liraglutida, como Saxenda, mas não atinge o Mounjaro, protegido por patente até 2036. O Sindusfarma critica a medida, defendendo igualdade competitiva como benefício ao paciente.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A jogada da EMS expõe o duplo padrão típico de indústrias estabelecidas: enquanto se beneficiava de isenção para componentes em março, agora pede taxação dobrada sobre concorrentes já consolidados. Os incentivos convergem para um timing estratégico: a medida surge exatamente quando a empresa entra no mercado de semaglutida, após anos de domínio da Novo Nordisk. A alegação de 'proteger investimentos locais' mascara o cerco a concorrentes globais que, sem produção no Brasil, dependem de importação. O movimento ainda sinaliza uma disputa pelo mercado de obesidade, que ganha relevância com a proposta do SUS de incluir canetas emagrecedoras - um mercado potencial de R$ 1,5 bilhão anual. A seletividade do pleito (excluindo o Mounjaro patenteado) revela cálculo preciso: atinge rivais vulneráveis, mas evita conflito com a Eli Lilly, detentora de tecnologia protegida.

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