Esquerda adota discurso religioso em SP após polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida
Candidatos como Haddad e Tebet usam orações e símbolos católicos em ato estratégico na reta final da campanha.
A esquerda paulista adotou um discurso religioso em ato realizado na Catedral da Sé, em São Paulo, após polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida. O evento, que incluiu uma missa de sétimo dia pela ativista Amelinha Teles e um ato político na praça da Sé, reuniu candidatos de esquerda como Fernando Haddad (PT), Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Haddad criticou o uso político da fé pelo bolsonarismo e adaptou uma oração de São Francisco de Assis para pedir votos. Tebet, emocionada, recitou a mesma oração e afirmou ser devota de Nossa Senhora Aparecida, enquanto Marina Silva destacou a união entre católicos e evangélicos. O evento ocorreu após fake news viralizar sobre Flávio Bolsonaro (PL) pretender tirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, fato desmentido pelo TSE.
O discurso religioso da esquerda em São Paulo não é casual, mas uma jogada eleitoral estratégica. Apropriar-se da narrativa religiosa após a fake news sobre Nossa Senhora Aparecida foi uma tentativa de resgatar eleitores católicos e evangélicos que migraram para a direita nos últimos anos. Haddad e Tebet usaram orações e símbolos religiosos para tentar nivelar o campo com os bolsonaristas, que historicamente dominam esse eleitorado. Marina Silva, por sua vez, buscou reforçar sua imagem como líder ecumênica. O timing do evento coincide com a reta final da campanha, onde cada voto conta, especialmente em São Paulo, estado-chave para o PT. A esquerda, que tradicionalmente defende o Estado laico, tenta agora se reaproximar de uma base eleitoral que ela mesma alienou ao longo dos anos.