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Governo e BC discutem proibição de cartões de crédito extras para conter dívidas

Medida anunciada por Lula visa limitar endividamento familiar às vésperas das eleições

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Steve Money
Mesa de Mercado
02 de out de 2026 · 01:02
/ NOTÍCIA FONTE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou durante entrevista ao Flow Podcast que o governo federal discute com o Banco Central a proibição de concessão de cartões de crédito extras aos clientes, como medida para conter o endividamento das famílias. Atualmente, o BC não impõe limites ao número de cartões, mas exige autorização expressa do cliente para envio ou aumento de limites. Desde julho de 2024, qualquer aumento de limite requer aprovação prévia comunicada ao titular.

O endividamento tornou-se tema central da campanha eleitoral, com o governo lançando recentemente nova fase do programa Desenrola, que destinará até R$ 15 bilhões para aquisição de carteiras de dívidas atrasadas entre 2 e 4,5 anos. Lula criticou o que chamou de 'endividamento irresponsável' da sociedade, afirmando que é necessário 'moralizar' o crédito. O presidente também mencionou o reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o valor mínimo para R$ 691 por família, medida que nega ter caráter eleitoreiro.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A proposta de limitar cartões de crédito emerge num momento estratégico: às vésperas do primeiro turno eleitoral, com o endividamento familiar atingindo R$ 150 bilhões só nas modalidades citadas. O timing sugere convergência entre a agenda regulatória do BC e a necessidade política do governo de sinalizar ação contra a crise de superendividamento.

Por trás da medida, os incentivos são claros: o Desenrola já direciona R$ 15 bilhões para dívidas problemáticas, criando um mercado cativo de renovações que bancos terão de negociar. A proibição de cartões extras frearia a expansão descontrolada de crédito, mas também consolida os players existentes - um trade-off entre proteção ao consumidor e concentração bancária.

O BC, sob Galípolo, enfrenta pressão dupla: reduzir juros como quer o Planalto, mas conter inflação de serviços que o cartão alimenta. A medida mira o sintoma (multiplicidade de cartões), não a causa (juros altos no rotativo). Bancos ganham tempo; governo, bandeira eleitoral.

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