Homem é libertado após 41 anos no corredor da morte graças a novo exame de DNA
Douglas Carter foi condenado em 1985 por assassinato; novas evidências de DNA e testemunhos comprometidos levaram à revisão do caso.
Um juiz de Utah, nos Estados Unidos, determinou nesta segunda-feira (28) a libertação sob fiança de Douglas Stewart Carter, 71, após 41 anos no corredor da morte. Carter foi condenado em 1985 pelo assassinato de Eva Olesen, tia do então chefe de polícia de Provo. A decisão ocorreu após novos exames de DNA não encontrarem correspondência entre Carter e o material biológico recolhido na cena do crime. Carter sempre afirmou inocência, alegando ter sido coagido a assinar uma confissão. As duas principais testemunhas da acusação, localizadas no México em 2011, disseram ter sido instruídas a mentir no julgamento e recebido benefícios de policiais. A Suprema Corte estadual determinou um novo julgamento no ano passado, citando conduta imprópria de investigadores. Carter deverá usar uma tornozeleira eletrônica e não pode manter contato com familiares de Olesen. O novo julgamento está marcado para 2027.
A libertação de Douglas Carter após 41 anos no corredor da morte revela falhas sistêmicas no sistema judicial americano, especialmente em casos envolvendo acusações raciais e pressões políticas. O fato de Carter ter sido condenado sem evidências materiais, apenas com base em uma confissão coagida e testemunhas pagas, sugere um cenário de manipulação jurídica. A proximidade da vítima com o chefe de polícia pode ter influenciado o processo, criando um ímpeto para uma condenação rápida, mesmo com provas frágeis. A revisão do caso em 2011, com a descoberta de suborno e intimidação de testemunhas, expõe uma trama de corrupção que se prolongou por décadas. O uso tardio de tecnologia de DNA, disponível há anos, levanta questões sobre a eficiência e a imparcialidade do sistema. O novo julgamento em 2027 ainda pode manter Carter sob risco jurídico, mostrando que a justiça, mesmo quando corrigida, permanece imperfeita.