Iñárrito defende 'Digger' após baixa bilheteria e críticas divididas
Diretor de 'O Regresso' afirma que filme climático cumpriu propósito artístico apesar de recepção polarizada
O cineasta mexicano Alejandro G. Iñárrito defendeu publicamente seu mais recente filme 'Digger', que enfrentou baixo desempenho nas bilheterias e recebeu críticas mistas. Em entrevista ao New York Times, o diretor de 'O Regresso' (2015) reconheceu as avaliações negativas, mas afirmou que o longa cumpriu seu propósito artístico. 'Tudo é feito só para chamar atenção, ganhar likes, provocar, ser irritante – esta é a cultura em que estamos vivendo', declarou Iñárrito, referindo-se ao contexto atual que inspirou o filme. Com apenas 51% de aprovação no agregador Rotten Tomatoes, o diretor preferiu a polarização à indiferença: 'Prefiro isso a uma recepção morna'. O filme, que aborda as mudanças climáticas, foi concebido durante as filmagens de 'O Regresso', quando Iñárrito percebeu alterações nas paisagens geladas que antes conhecia. Atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros, 'Digger' representa uma aposta arriscada do cineasta em temáticas ambientais com abordagem não convencional.
A defesa de Iñárrito por 'Digger' revela uma tensão característica da produção cultural contemporânea: o conflito entre engajamento temático e aceitação de mercado. O diretor, conhecido por obras premiadas como 'Birdman' (2014) e 'O Regresso', optou por uma narrativa climática experimental num momento de crescente conscientização ambiental – mas também de fadiga de discursos catastróficos. A reação polarizada (51% no Rotten Tomatoes) espelha a divisão atual entre críticos que valorizam inovação formal versus aqueles que privilegiam narrativas convencionais. O caso lembra o recebimento inicial de 'A Árvore da Vida' (2011) de Terrence Malick, outro filme contemplativo sobre existência humana e natureza que dividiu opiniões. Iñárrito parece conscientemente abraçar o risco comercial: sua referência à cultura dos 'likes' sugere uma crítica ao algoritmo que rege tanto redes sociais quanto indústria cultural. Curiosamente, o filme surge quando Hollywood enfrenta seu próprio paradoxo climático – denúncia ambiental versus pegada de carbono monumental das produções. O fracasso de bilheteria pode ser temporário: filmes 'de culto' frequentemente ganham reassessment crítico posterior, como ocorreu com 'Blade Runner 2049' (2017), outro projeto ambicioso sobre colapso ecológico.