Itália limita alunos sem fluência em italiano e proíbe burcas em escolas
Medida de Meloni visa integração, mas enfrenta críticas sobre impactos práticos e motivações políticas
O governo italiano liderado pela primeira-ministra Giorgia Meloni aprovou nesta quinta-feira (24) um decreto que estabelece um limite de 30% para o número de alunos sem fluência em italiano por sala de aula e proíbe o uso de burcas nas escolas. A medida, apresentada como forma de promover a integração através do domínio do idioma, recebeu apoio dos aliados conservadores de Meloni. No entanto, críticos, incluindo educadores, sindicatos e partidos de oposição, alertam que as novas regras podem obrigar estudantes a frequentar escolas distantes de seus bairros e acusam o governo de politizar a imigração. O decreto entrou em vigor imediatamente, mas precisa ser aprovado pelo Parlamento em até 60 dias. A coalizão de Meloni detém maioria parlamentar, o que facilita a aprovação. O ministro da Educação, Giuseppe Valditara, afirmou que a medida afetaria cerca de 1.000 salas de aula, ou 0,3% do total no país, principalmente em áreas com alta concentração de imigrantes recém-chegados.
A medida de Meloni, embora apresentada como 'promoção de integração', é uma resposta estratégica a pressões internas e externas. Internamente, Meloni enfrenta crescente competição à direita, liderada pelo general Roberto Vannacci, que busca capitalizar preocupações eleitorais sobre imigração e identidade nacional. Externamente, o decreto reforça sua base eleitoral conservadora às vésperas de possíveis eleições na próxima primavera. A proibição das burcas e o limite de alunos não fluentes em italiano são símbolos de uma política identitária que visa consolidar o discurso nacionalista. No entanto, a implementação prática é questionável: áreas com alta densidade de imigrantes podem enfrentar desafios logísticos e educacionais, como a necessidade de redistribuição de alunos. A medida também serve como um teste para a coalizão de Meloni, que busca mostrar eficácia em temas sensíveis enquanto enfrenta críticas de educadores e sindicatos, sugerindo que o impacto real pode ser mais político do que educacional.