Justiça de SP determina penhora da Inepar a pedido de escritório de advocacia
BMBZ rejeita pagamento via fundo Taranis e busca garantia imediata de dívida de R$ 3 milhões.
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
A Justiça de São Paulo determinou a penhora de R$ 312.222,74 do grupo Inepar, a pedido do escritório de advocacia BMBZ (Bergamaschi & Bozzo). A decisão, emitida no dia 2 de outubro pela 11ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, afeta um processo que tramita na Justiça do Distrito Federal e envolve uma dívida que, segundo o escritório, chega a R$ 3 milhões. A BMBZ prestou serviços jurídicos à Inepar e afirma que o grupo reconheceu a dívida, além de pedir o pagamento de mais R$ 2,67 milhões em outra ação. A penhora atinge a Inepar e outras sete empresas do grupo, todas em recuperação judicial desde 2014. O escritório rejeitou a proposta de pagamento por meio de quotas do FIDC Taranis, um fundo criado em 2019 que reúne créditos do grupo avaliados em cerca de R$ 600 milhões. A BMBZ argumenta que o fundo vem sendo esvaziado e que, quando o prazo de resgate chegar em 2050, não haverá mais recursos disponíveis. A Inepar contestou a decisão e afirmou que tomará medidas judiciais caso informações distorcidas ou inverdades sejam veiculadas.
A penhora determinada pela Justiça de São Paulo revela uma disputa estratégica entre o escritório BMBZ e a Inepar, que está em recuperação judicial desde 2014. O timing da decisão coincide com uma série de movimentos recentes da Inepar, incluindo a venda do Estaleiro Inhaúma por R$ 359,7 milhões em 2025 e a captação de R$ 34 milhões em fevereiro de 2026. Esses recursos poderiam ter sido usados para quitar parte da dívida, mas o grupo optou por manter o fluxo de caixa em outras prioridades. A rejeição das quotas do FIDC Taranis pelo BMBZ sugere uma desconfiança profunda na saúde financeira do fundo, que já teria sido esvaziado antes mesmo do prazo de resgate em 2050. A estratégia do escritório parece clara: pressionar judicialmente para garantir um pagamento imediato, em vez de depender de um fundo que pode não ter recursos futuros. A Inepar, por sua vez, busca proteger seus ativos e evitar uma liquidação forçada, o que poderia comprometer ainda mais sua capacidade de recuperação. O caso ilustra o jogo de forças entre credores e empresas em recuperação judicial, onde os incentivos financeiros estão diretamente alinhados com a sobrevivência corporativa.