LinkedIn vira terreno de flerte e revela crise nos limites entre profissional e pessoal
Pesquisa mostra divisão sobre paquera na rede profissional, enquanto usuários relatam experiências opostas.
O LinkedIn, rede social profissional, tem sido utilizado por alguns usuários para além de sua finalidade original, servindo como plataforma para flertes e busca de relacionamentos. Uma pesquisa com mais de 1 mil trabalhadores nos EUA revela que, enquanto 74% consideram inapropriado paquerar na plataforma, cerca de 25% veem com bons olhos. A prática, no entanto, ainda é tabu, como mostrou a dificuldade do G1 em encontrar entrevistados dispostos a se identificar. João*, que preferiu não revelar seu nome real, contou que conheceu seu ex-namorado após uma solicitação de conexão acompanhada de mensagem. O início foi profissional, mas os sinais de interesse apareceram com curtidas em posts antigos e migração da conversa para o Instagram. Patrícia Gazolla, analista de RH, relata experiências negativas, como receber mensagens diretas com cantadas e comentários sobre sua aparência, o que a fez sentir desrespeitada.
A migração de comportamentos afetivos para o LinkedIn não é casual. Reflete a saturação dos apps de namoro tradicionais e a busca por novos espaços onde os algoritmos de recomendação ainda não foram contaminados por intenções explícitas. A plataforma, que se vende como estritamente profissional, vê sua fronteira ser corroída pelo mesmo fenômeno que atingiu o Facebook anos atrás: a impossibilidade de manter espaços 'puros'. Os 26% que aceitam flertes no LinkedIn são sintomáticos de uma geração que já não separa vida pessoal e profissional. As empresas, no entanto, têm interesse em manter a divisão: perfis associados a paqueras podem reduzir o valor da plataforma como ativo corporativo. O silêncio dos entrevistados não é só medo de represálias — é reconhecimento tácito de que, no mercado de trabalho, até os afetos são avaliados como risco reputacional.