Mensagens de Vorcaro indicam pedido de adulteração em carteira de vacinação para Monique Alfradique
Ex-banqueiro solicitou certificados falsos através de Sicário, em 2024, segundo documentos obtidos pela Folha.
Mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, indicam que Vorcaro encomendou certificados internacionais de vacinação contra a febre amarela com datas retroativas. As conversas ocorreram em dezembro de 2024, menos de um ano antes de Vorcaro ser preso no escândalo do Banco Master, em novembro de 2025. Sicário foi preso em março de 2026 e se suicidou na carceragem da Polícia Federal de Minas Gerais. Durante o período de troca de mensagens, Vorcaro solicitou dois certificados internacionais de vacinação, enviou dados pessoais da atriz Monique Alfradique e recebeu o material solicitado. A assessoria da atriz afirmou que as doses foram aplicadas de forma regular e nos postos de saúde credenciados, com a última vacina ocorrendo na Fiocruz em abril de 2024. O Ministério da Saúde reforçou a segurança dos sistemas de registro do SUS, destacando mecanismos de controle de acesso e rastreabilidade.
O caso dos certificados de vacinação adulterados revela uma rede de influência e acesso privilegiado que extrapola o escândalo do Banco Master. Daniel Vorcaro, já em meio a investigações, recorreu a Sicário para obter documentos falsos, sugerindo uma operação de bastidores que envolvia figuras públicas como Monique Alfradique. Ainda que a atriz negue conhecimento do pedido, a conexão entre os dois não é nova — mensagens anteriores já haviam vinculado Vorcaro a ameaças envolvendo funcionários de Alfradique. O timing das solicitações, próximo à prisão de Vorcaro, sugere uma tentativa de proteger interesses pessoais ou de terceiros em um momento de crescente pressão legal. O caso também ecoa investigações anteriores, como a envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, indicando um padrão de manipulação de dados de saúde por figuras poderosas. A segurança dos sistemas do SUS, embora destacada pelo Ministério da Saúde, parece não ser suficiente para evitar brechas exploradas por atores bem conectados.