OMC revisa projeções para comércio global com impacto no agronegócio paranaense
Alta em bens (3,9%) beneficia exportações do oeste, enquanto queda em serviços (3,3%) preocupa turismo em Foz
A Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou nesta quinta-feira (8/10) suas projeções para o comércio global em 2026, elevando a expectativa de crescimento para bens de 1,9% para 3,9%, mas reduzindo a previsão para serviços de 4,8% para 3,3%. O relatório aponta que os investimentos em inteligência artificial acima do esperado e o aumento da oferta de combustíveis e fertilizantes por países fora do Oriente Médio impulsionaram a revisão positiva para mercadorias. Já os serviços foram impactados pelos prejuízos no turismo regional e alta global nos custos de combustíveis devido ao conflito no Oriente Médio. Para 2027, a OMC projeta crescimento de 4,1% no comércio de bens e 6,4% em serviços, dependendo de uma solução rápida para o conflito. A organização alerta para riscos, como possível desaceleração nos investimentos em IA, que poderiam afetar as projeções devido à dependência de importações.
A revisão da OMC reverbera no oeste paranaense, onde o agronegócio responde por 38% do PIB regional segundo o IPARDES. O aumento projetado para o comércio de bens em 2026 (3,9%) tende a beneficiar cadeias como soja, milho e proteína animal - principais produtos de exportação da região. A alta nos fertilizantes, citada no relatório, impacta diretamente o custo de produção nas lavouras do oeste, que importam 72% dos insumos conforme dados do Deral. Já a queda nos serviços (3,3%) pode pressionar o turismo em Foz do Iguaçu, onde o setor representa 15% da economia municipal. A dependência de importações tecnológicas mencionada pela OMC é particularmente sensível para as agroindústrias locais, que nos últimos três anos ampliaram investimentos em automação e precisam de componentes eletrônicos estrangeiros. O cenário reforça a importância da pauta portuária regional, com o Porto Seco de Cascavel sendo estratégico para escoamento e importações.