Ozon refaz Camus em preto e branco no MIS
Adaptação de 'O Estrangeiro' revisita Argélia colonial com ambiguidade contemporânea
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
François Ozon empresta sua lente ao clássico existencialista de Albert Camus em 'O Estrangeiro', exibido no MIS como parte do Ciclo de Cinema e Psicanálise. O filme, rodado em preto e branco, busca capturar a atmosfera opressiva da Argélia colonial onde Meursault, interpretado por Benjamin Voisin, vive sua apatia moral. Ao optar pela falta de cor, Ozon propõe uma leitura mais próxima da abstração filosófica que Camus explorou em 1942, sugerindo que a simplicidade visual intensifica a estranheza existencial da narrativa. A adaptação ganha relevância ao ampliar a presença dos argelinos, originalmente relegados ao anonimato, sem perder a ambivalência que define o protagonista. Após a projeção, um debate com Daniel Delouya e Raphael Araújo, mediado por Luciana Saddi, promete explorar as camadas psicológicas e políticas da obra — um diálogo entre o legado literário e as questões que ela ainda suscita.