PF pediu sigilosamente para AGU conter Mendonça antes de vazamentos
Crise no caso Master expõe disputas entre governo, STF e Polícia Federal em ano eleitoral.
A Polícia Federal (PF) enviou um ofício sigiloso à Advocacia-Geral da União (AGU) em julho de 2026, solicitando que fossem analisadas e tomadas medidas cabíveis contra uma decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido, feito pelo então diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, foi negado pela AGU, que alegou não haver nenhuma medida judicial possível. O caso ganhou maior visibilidade em setembro, quando mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes vieram à tona após Mendonça retirar o sigilo de parte das investigações. A crise levou ao afastamento temporário de Andrei Rodrigues, revertido posteriormente por decisões de Flávio Dino e Edson Fachin. Durante o período, houve encontros entre o advogado-geral da União, Jorge Messias, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e André Mendonça, em uma tentativa de interlocução para resolver o embate. A AGU negou relatos de tensões públicas entre Messias e Rodrigues, afirmando que as divergências são naturais, mas que nada se sobrepõe ao respeito mútuo.
O ofício sigiloso da PF para a AGU revela uma disputa institucional que transcende o caso Banco Master. Ao pedir medidas contra André Mendonça, Andrei Rodrigues tentou neutralizar uma decisão judicial que poderia comprometer investigações em curso. A negativa da AGU, porém, sinaliza uma escolha política: evitar o confronto direto com o STF em um ano eleitoral. A crise explodiu quando Mendonça retirou o sigilo das investigações, expondo mensagens que colocaram Alexandre de Moraes sob suspeita. O timing não é casual — o caso Master envolve nomes de peso e recursos bilionários, e a exposição pública das mensagens pode ter sido estratégica para pressionar o Supremo. O encontro entre Messias, Wellington e Mendonça busca uma 'interlocução', mas o governo prefere distanciar-se do caso para não ser associado ao caos institucional. A gota d'água foi a suposta troca de xingamentos entre Messias e Rodrigues, revelando a fratura interna no governo Lula. A AGU nega, mas o episódio expõe o jogo de poder entre cúpulas jurídicas e investigativas, com o Supremo como palco e a eleição como pano de fundo.