Picanha sobe menos no governo Lula, mas inflação ainda pesa no bolso
Dados do IPCA mostram ritmo menor de alta, mas preços já eram elevados.
Os preços da picanha continuaram a subir durante o terceiro governo de Lula, mas em um ritmo menor do que no mandato de Jair Bolsonaro. Segundo dados do IPCA compilados pelo economista Fábio Romão, da consultoria 4intelligence, a picanha acumulou uma inflação de 7,8% de janeiro de 2023 a agosto de 2026. No mesmo período, durante o governo Bolsonaro, o aumento foi de 33,4% entre janeiro de 2020 e agosto de 2022, e de 38% até dezembro de 2022. O consumo da picanha tornou-se um tema político desde as eleições de 2022, quando Lula prometeu que o povo voltaria a comer churrasco e tomar cerveja. O economista Romão destacou que o comportamento dos preços reflete questões econômicas, como a maior oferta de carne bovina, que ajudou a conter a inflação no governo Lula.
A picanha, símbolo político e econômico, revela mais do que números de inflação. No governo Bolsonaro, choques externos como a pandemia, a guerra na Ucrânia e problemas climáticos pressionaram os preços dos alimentos, incluindo a carne bovina. Já no governo Lula, a maior oferta de gado — com recorde de abate em 2025 — atuou como um freio natural à inflação. No entanto, o mal-estar persiste: mesmo com menor aumento percentual, os preços já partiam de um patamar alto, impactando o orçamento familiar. A polarização política transformou a picanha em um termômetro de percepção econômica, mas os números mostram que a inflação é menos uma questão de governo e mais uma consequência de fatores estruturais e conjunturais. O mercado de carne bovina, assim, segue seu curso, independente da narrativa política.