Protestos na Índia contestam revisão de listas eleitorais
Manifestantes exigem suspensão de mudanças que excluíram 130 milhões de eleitores.
Milhares de manifestantes marcharam até a Suprema Corte da Índia nesta segunda-feira (12) para apresentar uma petição contra a revisão dos cadastros eleitorais no país. A ação foi liderada por siglas de oposição e apoiadores do 'Partido das Baratas', que exigem a renúncia do presidente da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar. A revisão, iniciada no ano passado, excluiu mais de 130 milhões de nomes das listas eleitorais — número superior à população do Japão. Entre os excluídos, 28 milhões eram pessoas mortas, 63 milhões haviam mudado de endereço e 30 milhões não puderam ser localizados. O protesto transcorreu pacificamente, sob forte esquema de segurança, após uma operação policial frustrar planos de mobilizações maiores durante o fim de semana. A petição, que será analisada pela Suprema Corte nesta terça-feira, solicita uma auditoria das exclusões e a suspensão temporária da revisão.
A revisão das listas eleitorais na Índia não é um mero ajuste burocrático, mas uma manobra estratégica do Partido Bharatiya Janata (BJP) de Narendra Modi para consolidar seu poder. A exclusão massiva de eleitores — 130 milhões de nomes — afeta desproporcionalmente regiões onde a oposição tem maior apoio, especialmente o Congresso Nacional Indiano. O timing da revisão, próxima das eleições gerais de 2027, sugere um cálculo político preciso: desmobilizar bases eleitorais adversárias enquanto fortalece o eleitorado rural conservador, base do BJP. A petição apresentada à Suprema Corte, liderada por Rahul Gandhi, é uma tentativa de frear esse processo, mas enfrenta um Judiciário cada vez mais alinhado com o governo. A repressão policial aos protestos e o fechamento de espaços públicos para manifestações indicam que o BJP está disposto a endurecer o controle sobre o dissenso para garantir sua continuidade no poder.