Reforma tributária na pauta eleitoral: entre continuidade e revisão de regimes
Split payment, alíquotas e prazos dividem propostas dos presidenciáveis para o novo sistema tributário
A reforma tributária surge como tema central na pré-campanha eleitoral de 2026, com divergências evidentes entre os potenciais candidatos. As propostas variam desde ajustes pontuais até revisões profundas no sistema implementado. O split payment, mecanismo de cobrança instantânea de tributos, divide opiniões: enquanto alguns defendem sua manutenção como forma de aumentar a arrecadação, outros alertam para impactos negativos no fluxo de caixa das empresas. As alíquotas também estão em debate, com propostas que vão desde a redução para setores específicos até a criação de novas faixas progressivas. Os prazos de transição igualmente geram controvérsia, com alguns defendendo extensão para adaptação e outros pressionando por implementação acelerada. O Congresso já sinaliza que o tema será objeto de intensa negociação nos próximos meses.
Os debates sobre a reforma tributária revelam mais do que divergências técnicas - expõem o jogo de poder entre setores econômicos com acesso privilegiado aos formuladores de política. A insistência no split payment beneficia claramente o fisco em detrimento do capital de giro das empresas, especialmente PMEs sem poder de lobby. As discussões sobre alíquotas seguem o padrão histórico: setores organizados conseguem isenções enquanto o peso recai sobre atividades difusas. O timing eleitoral é sintomático - a proximidade das eleições permite que medidas impopulares sejam anunciadas como 'necessárias', enquanto benefícios setoriais são distribuídos como moeda política. A fragmentação das propostas não é acidental: mantém todos os grupos com expectativas de ganhos, garantindo apoio difuso sem comprometer interesses específicos. O verdadeiro teste virá após as eleições, quando as promessas terão que enfrentar a aritmética fiscal real.