Rico Melquíades é alvo de ação por assédio eleitoral contra funcionárias
MPT pede indenização de R$ 5 milhões e cumprimento de 18 obrigações.
O influenciador digital Rico Melquíades é alvo de uma ação proposta pelo Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT-AL) por assédio eleitoral contra funcionárias domésticas. A ação pede indenização de R$ 5 milhões por danos morais coletivos e o cumprimento de 18 obrigações. Segundo o MPT, Rico teria pressionado funcionárias por divergências políticas, exposto dados pessoais das trabalhadoras nas redes sociais e ferido a dignidade delas. A Justiça do Trabalho concedeu tutela provisória de urgência, determinando que o influenciador se abstenha de praticar assédio eleitoral sob pena de multa de R$ 300 mil por infração. O MPT alegou que Rico misturou relações de trabalho, disputas políticas e produção de conteúdo para as redes sociais, classificando ou monitorando funcionárias de acordo com suas opiniões políticas. A prática de assédio eleitoral foi a mais comum em processos analisados pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), aparecendo em 81,9% dos casos.
A ação contra Rico Melquíades não é apenas um caso isolado, mas um reflexo de como a polarização política migrou para o ambiente de trabalho, especialmente em contextos de influência digital. O timing da ação, próxima ao pleito eleitoral, sugere uma estratégia do MPT de usar o caso como exemplo pedagógico para coibir práticas semelhantes. O valor da indenização, R$ 5 milhões, é emblemático — busca enviar uma mensagem de impacto tanto para o réu quanto para outros empregadores. Rico, como figura pública, torna-se um alvo ideal para essa mensagem, dada sua capacidade de amplificar o debate nas redes sociais. O monitoramento das opiniões políticas das funcionárias revela uma tentativa de alinhar o ambiente de trabalho às convicções pessoais do empregador, prática que tende a se intensificar em períodos eleitorais. O fato de o assédio eleitoral aparecer em 81,9% dos casos analisados pelo TST indica que o problema é sistêmico, mas muitas vezes silencioso, já que os trabalhadores têmem represálias. A tutela provisória concedida pela Justiça do Trabalho também reflete uma preocupação com a continuidade do ilícito, sugerindo que o poder judiciário está atento à gravidade do caso.