Rosa Montero e a Revolução da Menopausa: Desejo, Tempo e Narrativas Patriarcais
Aos 74 anos, escritora espanhola desmonta tabus sobre maturidade feminina ao lançar 'A Carrne' no Brasil
Na contramão de discursos que demonizam o envelhecimento feminino, Rosa Montero proclama a menopausa como libertação. Seu romance 'A Carne', agora lançado no Brasil após década de sucesso na Espanha, expõe as armadilhas narrativas que aprisionam mulheres maduras: a falsa equação entre fertilidade e feminilidade, a invisibilidade do desejo após os 50, o luto compulsório pela juventude. Montero não apenas descreve uma protagonista sexagenária em busca de paixão - Soledad contrata um gigolô para provocar ciúmes - mas constrói um manifesto tácito. Seu insight mais radical: o tempo não subtrai, mas condensa a experiência vital ('cada momento pintado de purpurina'). A escritora, testemunha do franquismo, enxerga na atual reação antifeminista um sintoma do neoautoritarismo global. Quando Montero diz que 'a pior democracia é mil vezes melhor', mede na pele o preço da liberdade perdida - inclusive a de envelhecer sem pedir licença.