Startups de biotecnologia recorrem a fusões reversas para acelerar a abertura de capital
Número de operações quase sextuplicou em 2026, impulsionado por empresas listadas em dificuldades e investidores sofisticados.
O número de empresas de biotecnologia que optam por fusões reversas para abrir capital subiu quase seis vezes em 2026, segundo dados do banco de investimento William Blair. Foram 23 operações desse tipo anunciadas neste ano, contra apenas quatro em 2025. O fenômeno ocorre mesmo com a retomada dos IPOs tradicionais, que também registraram aumento, passando de 12 em 2025 para 23 em 2026. As fusões reversas permitem que startups de capital fechado se fundam com empresas já listadas em Bolsa, acelerando o processo de abertura de capital. No setor de biotech, isso geralmente envolve companhias que enfrentaram reveses clínicos, como o fracasso de um medicamento candidato. Um exemplo recente foi a fusão entre a Cyclerion Therapeutics, listada desde 2019, e a Korsana Biosciences, que levantou US$ 380 milhões com investidores como Fairmount e RTW Investments. A participação crescente de investidores sofisticados tem ajudado a mudar a percepção negativa que esse tipo de operação costumava ter, segundo Brian Rosenzweig, sócio do escritório de advocacia Covington.
O aumento expressivo das fusões reversas no setor de biotecnologia em 2026 revela uma estratégia pragmática diante de um cenário de incertezas. O boom de IPOs durante a pandemia gerou uma legião de empresas listadas que, após fracassos clínicos, se tornaram alvos atraentes para startups em busca de uma via rápida ao mercado de capitais. A Cyclerion Therapeutics, por exemplo, após não conseguir avançar com um tratamento para anemia falciforme, tornou-se a contraparte ideal para a Korsana Biosciences. Esse movimento não é apenas uma resposta à escassez de IPOs tradicionais, mas também uma adaptação ao novo ecossistema de investimentos. Fundos sofisticados, como Fairmount e RTW Investments, têm migrado para essas operações, atraídos pela possibilidade de adquirir participações significativas em startups promissoras sem os riscos e custos de um IPO tradicional. O timing é crucial: enquanto empresas listadas enfrentam pressões de mercado, startups privadas aproveitam a oportunidade para captar recursos e ganhar visibilidade, em um jogo onde ambas as partes encontram saídas para desafios distintos.