STF em guerra aberta sobre influência nas eleições municipais
Gilmar e Moraes acusam interferência política em julgamento que pode alterar regras eleitorais
Ministros do STF Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes acusaram o colega Nunes Marques de promover um 'pixuleco eleitoral' ao interferir em processo que pode afetar as eleições municipais. A expressão foi usada por Gilmar durante julgamento no plenário virtual da corte. O caso em questão trata de recursos que podem alterar as regras do pleito. 'É evidente e até as pedras sabem que há um inequívoco viés político eleitoral na forma como o tema foi conduzido', afirmou Mendes, sem citar nominalmente o alvo da crítica. Moraes, por sua vez, registrou que 'a atuação de alguns ministros precisa ser fiscalizada para evitar desvios de finalidade'. A discussão ocorre a menos de quatro meses das eleições, onde prefeitos de mais de 5.500 municípios serão escolhidos.
O timing da briga no STF não é acidental. Com eleições municipais batendo à porta, cada ministro posiciona suas peças no tabuleiro. Gilmar e Moraes fazem coro contra Nunes Marques, alinhado ao centrão que controla prefeituras cruciais. A linguagem agressiva ('pixuleco') sinaliza que a guerra não será limpa. O que está em jogo é o controle sobre o TSE, órgão que Moraes preside e que decidirá recursos eleitorais sensíveis. O histórico mostra que, em 2020, decisões judiciais tardias alteraram resultados em capitais. Ambos os lados sabem: quem controla o timing das decisões controla parte do resultado. A escalada retórica é sintoma de um conflito maior sobre quem ditará as regras do jogo democrático nos próximos meses.