Terceiro tiroteio escolar em três meses expõe desafio das Filipinas
Ataque em Cotabato do Sul ocorre após casos similares em junho e agosto, desafiando controle de armas
Um tiroteio em uma escola de ensino médio na cidade de Banga, província de Cotabato do Sul, nas Filipinas, deixou uma pessoa morta e quatro feridas na sexta-feira (18). O governador provincial Reynaldo Tamayo confirmou o incidente à Reuters, mas não forneceu detalhes sobre o atirador ou as vítimas. A polícia local já havia confirmado a ocorrência do tiroteio.
Este é o terceiro incidente do tipo no país desde junho, rompendo com um histórico anterior de raros ataques em escolas filipinas. Em agosto, um estudante transmitiu ao vivo o momento em que atirou e matou outro aluno em Zamboanga, antes de cometer suicídio. Em junho, três estudantes morreram e cerca de 20 ficaram feridos em um ataque em Tacloban, onde dois colegas abriram fogo no campus.
O Departamento de Educação das Filipinas manifestou profunda preocupação com o episódio mais recente. O país possui regulamentações rígidas sobre posse de armas, incluindo verificações de antecedentes e avaliações psicológicas, embora o mercado ilegal de armas persista. O caso ocorre semanas após um ataque similar na Tailândia, onde um estudante atacou uma escola nos arredores de Bangkok.
A sequência de tiroteios escolares nas Filipinas revela uma fratura na narrativa oficial sobre controle de armas no Sudeste Asiático. Os três episódios desde junho - em Tacloban, Zamboanga e agora Banga - compartilham padrões preocupantes: jovens como autores, escolas públicas como alvos e transmissão midiática dos eventos (seja por live ou cobertura tradicional).
As Filipinas mantêm legislação rigorosa no papel, mas a eficácia é questionável diante do fluxo de armas ilegais - particularmente nas regiões sulistas, historicamente marcadas por conflitos separatistas. Cotabato do Sul, palco do último ataque, faz fronteira com áreas de atividade insurgente. A convergência temporal com o caso tailandês sugere um possível efeito contágio midiático na região.
Os incentivos políticos estão em jogo: o governo enfrenta pressão para endurecer controles sem alienar eleitores pró-armas, enquanto grupos separatistas podem se beneficiar de um clima de insegurança crescente. A omissão de detalhes sobre o atirador em Banga segue um padrão institucional de reduzir a exposição midiática de autores - estratégia que falhou em conter novos episódios.