Terremoto na Colômbia deixa 132 mortos no eixo cafeeiro
Epicentro próximo a Chocó atinge regiões turísticas e produtoras de café quatro dias após posse presidencial.
Um terremoto de magnitude entre 6,6 e 7,4 atingiu a Colômbia na segunda-feira (10), causando ao menos 132 mortes e 483 feridos, segundo o presidente Abelardo de la Espriella. O epicentro foi localizado próximo a San José del Palmar, na província de Chocó, a 96 km de profundidade. As regiões mais afetadas foram o Eje Cafetero (eixo cafeeiro) entre Medellín e Cali, além de áreas na fronteira com Venezuela, Equador e Panamá. Na província de Risaralda, principal área produtora de café, o governador Juan Diego Patino confirmou 42 mortes. Pereira, capital da província, registrou 60 óbitos, enquanto Manizales teve três vítimas e danos à catedral gótica local. O porto de Buenaventura também registrou uma morte após colapso de edifício. Serviços de emergência seguem em buscas por sobreviventes nos escombros.
O terremoto que devastou a região cafeeira colombiana ocorre no momento mais sensível do ciclo político local, quatro dias após a posse do presidente Espriella. Chocó, epicentro do sismo, é a província com maior população afrodescendente do país e historicamente negligenciada em infraestrutura. O Eje Cafetero, área de maior impacto, concentra não apenas a produção de café de exportação (15% do PIB agrícola colombiano), mas também o turismo de alta renda em fazendas históricas. A divergência nas magnitudes apontadas por institutos sismológicos (USGS 7.4 x UNGRD 6.6) reflete a disputa por protagonismo em crises. O timing é crítico para o novo governo, que herdou um sistema de alerta sísmico em modernização após o terremoto de 1999 em Armenia (1.900 mortos), quando a região sofreu danos similares. A priorização de resgate em Pereira e Manizales - cidades com classe média urbana - sobre áreas rurais de Chocó já gera críticas nas redes locais.