Terremoto na Colômbia deixa 294 mortos e expõe tensões políticas
Governo recusa ajuda internacional e prioriza aliados como Israel em meio à crise.
O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na última segunda-feira (10) já deixou 294 mortos, segundo balanço divulgado pela Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD). O número de feridos chega a 3.935, enquanto 320 pessoas seguem desaparecidas. Além disso, foram registradas 14.493 casas destruídas e 81.506 danificadas. Equipes de resgate continuam trabalhando na remoção de escombros e na busca por sobreviventes, embora a expectativa de encontrar pessoas com vida tenha diminuído após o fechamento da janela de 72 horas, considerada crítica para salvamentos. Em Cali, terceira maior cidade do país, os socorristas concentram esforços em um conjunto de quatro torres de cinco andares cada uma, onde ainda podem estar pessoas soterradas. O governo colombiano recusou ajuda de alguns países, como o México, mas aceitou equipes de nações aliadas, como Israel. A União Europeia anunciou um pacote de dois milhões de euros para apoiar as operações de resgate.
A decisão do governo colombiano de recusar ajuda internacional de países como o México e limitar a entrada de equipes estrangeiras a nações aliadas, como Israel, sugere uma estratégia de controle narrativo sobre a tragédia. Ao restringir a presença de atores externos, o governo de Abelardo de la Espriella busca manter o domínio sobre as operações de resgate e evitar críticas sobre a gestão da crise. A escolha de Israel como parceiro preferencial não é casual: o país tem expertise em operações de salvamento e mantém relações estratégicas com a Colômbia, incluindo acordos militares e de inteligência. Já o pacote de dois milhões de euros anunciado pela União Europeia funciona mais como um gesto político do que uma contribuição prática, dado o custo estimado da reconstrução. Internamente, a tragédia pode servir para consolidar a imagem do governo como capaz de lidar com emergências, mas também expõe vulnerabilidades estruturais, como a falta de preparo para desastres naturais em áreas urbanas densamente povoadas, como Cali. O timing da recusa de ajuda externa coincide com um momento de tensões políticas na região, sugerindo que o governo busca evitar qualquer influência internacional que possa ser interpretada como interferência.