Troca no TCU expõe disputa pelo controle de contratos bilionários
Saída de Dantas para Avibras e chegada de Pacheco reconfiguram influência política na corte de contas
O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco tomou posse nesta quarta-feira (30) como ministro do TCU, ocupando a vaga deixada por Bruno Dantas, que aceitou convite para integrar a Avibras, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. A mudança deve alterar a dinâmica de poder dentro do tribunal, com expectativa de que o TCU retome um perfil mais discreto após anos de atuação marcante. Dantas, que presidiu a corte, exercia liderança ativa e criou a Secex Consenso, secretaria que transformou o TCU em mediador de conflitos entre governo e empresas. Agora, a atenção se volta para Jorge Oliveira, ministro indicado por Bolsonaro que assumirá a presidência em janeiro. A médio prazo, espera-se disputa por protagonismo entre Pacheco, Odair Cunha (PT) e Antônio Anastasia (ex-MG), enquanto técnicos como Benjamin Zymler e Walton Alencar mantêm influência interna. O episódio envolvendo o Banco Master, quando o TCU tentou intervir na decisão do BC sobre o banco de Daniel Vorcaro, marcou o controverso protagonismo recente da corte.
A troca no TCU não é sobre competência técnica, mas sobre controle de fluxos. Bruno Dantas deixa um vácuo estratégico: a Secex Consenso que criou tornou-se canal direto entre empreiteiras e o tribunal. O timing da saída para a Avibras - controlada pelos Batistas, figuras centrais na Lava Jato - revela o real ativo em jogo: a capacidade de arbitrar bilhões em contratos públicos. Pacheco chega com lastro político (ex-Senado) mas sem rede no TCU. O curto reinado de Jorge Oliveira será apenas interlúdio até a disputa central entre três projetos: Pacheco (centrão), Cunha (PT) e Anastasia (tucano mineiro). O silêncio sobre os processos que Pacheco herda é sintomático - muitos envolvem contratos de infraestrutura que poderão ser revistos na nova configuração. A 'volta ao discreto' que preveem é código para desmontar o poder extrajudicial construído por Dantas. Quem perderá espaço são as empresas que aprenderam a navegar nas brechas da Secex Consenso.