Trump avalia demolição do Kennedy Center em meio a disputa por legado
Presidente pressiona por inclusão de seu nome na fachada, enquanto fechamento temporário gera tensão política
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi fotografado nesta quarta-feira (16) analisando uma imagem da possível demolição do Kennedy Center, principal espaço de artes cênicas de Washington. A foto, tirada a bordo do Air Force One, mostra Trump olhando para um cartaz com a frase "Kennedy Center DEMOLIDO". O presidente afirmou que, se o governo não receber o devido reconhecimento, o local será demolido, referindo-se à inclusão de seu nome na fachada do complexo.
O diretor-executivo do Kennedy Center, Matt Floca, apoiado por Trump, afirmou que o prédio está sendo fechado temporariamente para avaliar riscos à segurança devido à deterioração estrutural. A deputada Joyce Beatty, que processou Trump no ano passado por seus planos para o centro, acusa o presidente de querer colocar seu nome no local por vaidade.
O juiz federal Christopher Cooper determinou que o governo notifique com 30 dias de antecedência qualquer medida para demolir a instituição. O conselho do Kennedy Center, que inclui Trump e integrantes escolhidos por ele, votou pelo fechamento do espaço para um projeto de reforma de US$ 257 milhões.
A fotografia de Trump avaliando a demolição do Kennedy Center não é um mero acidente midiático, mas um movimento calculado em uma disputa que mistura vaidade pessoal, interesses políticos e controle sobre símbolos nacionais. O presidente utiliza o fechamento temporário do centro, justificado por supostos riscos estruturais, como uma manobra para pressionar a inclusão de seu nome na fachada do prédio — algo que já havia sido ordenado a ser removido por um juiz federal.
O fechamento do espaço, aliado ao projeto de reforma de US$ 257 milhões, cria um cenário onde Trump pode manter o controle sobre o local por anos, enquanto busca consolidar sua marca em um símbolo cultural que homenageia outro presidente republicano, John F. Kennedy. A estratégia segue um padrão já visto com a demolição da Ala Leste da Casa Branca para a construção de um salão de festas, indicando uma tentativa de reescrever a história arquitetônica e simbólica de Washington sob seu legado.
A resistência de deputados democratas, liderada por Joyce Beatty, revela o caráter político desta disputa, onde o controle sobre espaços públicos emblemáticos se torna uma arena de guerra cultural. O timing do fechamento coincide com o período final de Trump no cargo, sugerindo uma tentativa de assegurar mudanças permanentes antes de deixar o poder.