Veto a pedras de tropeço na Saxônia reacende debate sobre memória do Holocausto
AfD e CDU lideram moção para remover homenagens a vítimas do nazismo do espaço público.
Uma câmara municipal na cidade alemã de Heidenau, no estado da Saxônia, vetou a instalação de 'pedras de tropeço', placas de latão de 10 cm x 10 cm que homenageiam vítimas do nazismo. A decisão foi tomada após uma moção liderada pelo partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha) e pelo CDU, partido do primeiro-ministro Friedrich Merz. As pedras, iniciativa do artista plástico Gunter Demnig desde os anos 1990, são instaladas em frente às últimas residências ou locais de trabalho conhecidos das vítimas e já somam 128 mil em toda a Europa. A proposta municipal sugere que as homenagens sejam transferidas para um local mais 'apropriado', como um cemitério. A medida gerou intenso debate sobre a memória do Holocausto na Alemanha, especialmente porque a AfD promete encerrar a política de Estado que cultiva essa memória histórica, caso chegue ao poder.
O veto às pedras de tropeço em Heidenau não é um caso isolado, mas parte de uma estratégia política mais ampla. A AfD, que liderou a moção, busca capitalizar eleitoralmente sobre o desconforto de parte da população alemã com a constante lembrança do passado nazista. Ao lado do CDU, partido tradicionalmente conservador, a AfD tenta normalizar sua agenda revisionista dentro do mainstream político. O argumento de 'dignidade' usado pela prefeita Conny Oertel é uma cortina de fumaça: o verdadeiro objetivo é remover a memória do Holocausto do espaço público, onde ela é inevitável, para espaços controlados, onde pode ser ignorada. A medida também reflete uma disputa interna na Alemanha sobre como lidar com o legado do nazismo, especialmente em regiões como a Saxônia, onde a AfD tem forte apoio. O timing não é acidental: em um momento de polarização crescente, a extrema-direita testa os limites do que é politicamente aceitável, enquanto os partidos tradicionais cedem terreno para evitar perder eleitores.