Advogado investigado por lavagem controla empresa de pagamentos de apostas
RioPag, acusada de calote no Rio, foi adquirida por Willer Tomaz em meio a investigações federais
O advogado Willer Tomaz, investigado por fraudes contra a Previdência e com ligações políticas com Flávio Bolsonaro (PL), assumiu em 2024 o controle da RioPag, instituição de pagamento do setor de apostas. A aquisição foi feita por meio da Embrasis, empresa que lhe rendeu R$ 67,79 milhões em 2024, segundo retificação de seu imposto de renda. Willer é investigado na Operação Sem Desconto por suposta lavagem de R$ 325 milhões depositados na casa de apostas Blaze, alegadamente provenientes de desvios de aposentadorias do INSS. A RioPag, por sua vez, é acusada pela Loterj de reter indevidamente R$ 9,4 milhões em repasses obrigatórios, além de multa de R$ 4,8 milhões. A empresa processa pagamentos para sites de apostas licenciados no Rio e faturou R$ 188 milhões entre 2023 e 2026. Willer nega ser dono da RioPag, afirmando atuar apenas como advogado da empresa.
A aquisição da RioPag por Willer Tomaz revela uma estratégia de consolidação de controle sobre fluxos financeiros no setor de apostas. O timing coincide com a escalada das investigações sobre a Blaze, sugerindo possível movimentação de recursos entre empresas do mesmo ecossistema. A estrutura societária opaca, com transferência de ações para uma sociedade em contas de participação, cria blindagem patrimonial enquanto mantém o controle efetivo. A proximidade entre o valor dos dividendos recebidos por Willer (R$ 67,79 milhões) e o faturamento da RioPag em 2024 indica possível circularidade financeira. A rescisão do contrato com a Loterj três dias antes do pedido de bloqueio de recursos da Blaze sugere coordenação estratégica para proteger ativos. Os atores têm incentivos alinhados: Willer busca preservar seu núcleo financeiro, enquanto a estrutura societária obscurece o controle real sobre os fluxos de pagamento do setor de apostas.