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Debate sobre redes sociais e saúde mental revela disputa de narrativas

Psicóloga questiona evidências científicas, enquanto governos adotam restrições

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Ron Globe
Mesa Internacional
17 de ago de 2026 · 13:02
/ NOTÍCIA FONTE

A psicóloga canadense Candice Odgers, professora da Universidade da Califórnia em Irvine (UCI) e especialista em psicologia do desenvolvimento, alerta que a proibição de redes sociais para jovens não é uma solução mágica para problemas de saúde mental. Em entrevista à BBC News Brasil, a pesquisadora com 25 anos de experiência no tema argumenta que não há evidências científicas robustas que comprovem uma relação causal entre redes sociais e o aumento de ansiedade e depressão entre adolescentes.

Odgers reconhece que as plataformas digitais precisam ser mais regulamentadas e responsabilizadas por garantir ambientes seguros, mas ressalta que os estudos existentes mostram apenas correlações fracas entre uso de tecnologia e problemas mentais. Ela adverte que medidas extremas como proibições podem ser contraproducentes, empurrando os jovens para espaços menos regulados e desviando a atenção de causas mais complexas.

A posição da psicóloga ganha relevância no contexto de medidas recentes como a suspensão das lives no Discord determinada pela ANPD no Brasil, após caso de automutilação e suicídio induzido de uma adolescente de 13 anos. Odgers não nega os riscos pontuais, mas critica o que chama de 'narrativa dominante' que simplifica excessivamente um fenômeno multifatorial.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

O debate sobre redes sociais e saúde mental adolescente revela uma disputa de narrativas com interesses econômicos e políticos ocultos. Enquanto governos buscam soluções visíveis para crises complexas (como a recente ação da ANPD brasileira), a indústria de tecnologia tem incentivos para minimizar sua responsabilidade. O timing do TED Talk de Odgers (junho 2023) coincide com pressão regulatória crescente sobre Big Tech em múltiplas jurisdições.

Os atores implícitos incluem think tanks pró-tecnologia que financiam pesquisas como as citadas, e grupos de defesa da infância que pressionam por regulamentação. A estratégia de Odgers - enfatizar a falta de causalidade - beneficia plataformas ao transferir o ônus da prova para críticos. Paradoxalmente, seu discurso de 'não há evidências' pode servir tanto à proteção de jovens quanto aos interesses corporativos.

O silêncio sobre os modelos de negócio baseados em engajamento tóxico é revelador. Enquanto o debate se concentra em 'proibir ou não', as plataformas evitam discussões sobre redesign algorítmico e moderação de conteúdo - intervenções que afetariam diretamente sua receita.

#'proibir#redes#sociais#para#jovens
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