Dorival e o labirinto tricolor: CT em frangalhos, lesões à espreita e um técnico que virou faxineiro de crise
Após vitória sofrida, treinador expõe precariedades do São Paulo e constrói narrativa de resistência – mas mercado já cochicha sobre possível saída no fim do ano
Dorival Júnior encena seu próprio 'Apocalypse Now' no Morumbis. O técnico, em entrevista épica após a vitória sobre o Vitória, pintou um retrato dantesco do CT do São Paulo: três campos inutilizáveis, gramados que alternam entre pantanal e concreto, jogadores se lesionando como personagens de filme de terror. A fala tem cheiro de carta-renúncia disfarçada, mas também de marketing político – quem sofre com estrutura precária não pode ser cobrado por resultados medianos. Enquanto isso, Rafinha vira o herói improvável desta tragédia grega, fazendo milagres nos bastidores para evitar o colapso total. O recado ao torcedor ('estamos fazendo o possível') soa mais como desabafo do que como promessa. E o timing não engana: ao mencionar 'quem estiver no comando ano que vem', Dorival parece já ter um pé no vestiário – mas deixando claro que ninguém sai limpo desse banho de lama institucional.