El Niño tensiona mercado livre de energia com preços em direções opostas
Curto prazo cai 44%, longo prazo sobe 1%, enquanto incertezas climáticas dividem geradores e consumidores.
O mercado livre de energia já sente os efeitos do El Niño, com preços de contratos de curto prazo caindo até 44% desde maio, enquanto contratos futuros para 2027 subiram 1%. Dados da BBCE mostram que os preços de setembro na região Sudeste fecharam a R$ 138,32 o MWh, queda de 14% ante junho e 44% em relação a maio. Já os contratos para agosto caíram 23% no período, fechando a R$ 188,86/MWh. A torção da curva de preços, com queda no curto prazo e alta no longo, reflete incertezas sobre os impactos do fenômeno climático, especialmente a seca intensa prevista para o Nordeste e Norte. O mercado livre hoje atende 80 mil clientes, responsáveis por 42% do consumo nacional, com expansão completa prevista para 2028.
A divergência entre curto e longo prazos no mercado livre de energia expõe uma disputa silenciosa entre geradores e consumidores. No curto prazo, os preços caem devido ao excesso de chuvas no Sul, beneficiando grandes consumidores industriais. No longo prazo, porém, a alta reflete o temor dos geradores com a seca no Nordeste, que pode reduzir a capacidade hidrelétrica. A BBCE, que intermediou R$ 90 bilhões em negociações em 2025, ganha relevância como arena dessa disputa. A torção da curva de preços sugere que, enquanto os consumidores pressionam por contratos mais baratos no presente, os geradores buscam se proteger contra riscos futuros. A expansão do mercado livre até 2028 pode intensificar essa tensão, especialmente se o El Niño agravar a desigualdade hídrica entre regiões.