Expansão de data centers de IA nos EUA exige US$ 110 bi em energia até 2030
Relatório da Moody's destaca dependência de gás natural e impactos tarifários
A expansão dos data centers de IA nos Estados Unidos exigirá investimentos de US$ 110 bilhões para construir 45 gigawatts de nova capacidade de geração de energia até 2030, segundo análise da Moody's Ratings. A maior parte dessa nova capacidade virá de unidades movidas a gás natural, representando uma demanda adicional de cerca de 4 bilhões de pés cúbicos de gás. A energia solar, o armazenamento e a reativação de usinas nucleares responderão pelo restante. A Agência Internacional de Energia estima que os data centers consumirão 426 terawatts-hora em 2030, dobrando sua participação no uso de eletricidade nos EUA para 10%. A construção de novas usinas poderá adicionar entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões por ano aos custos de eletricidade, com até US$ 15 bilhões sendo arcados diretamente pelos data centers. O governo enfrenta oposição de cidadãos preocupados com o aumento das contas de luz e impactos ambientais.
O relatório da Moody's revela uma estratégia de alívio imediato na crise energética causada pela expansão da IA: priorizar gás natural, uma fonte poluente mas escalável, em vez de investir pesadamente em renováveis. Esse 'shortcut' energético beneficia grandes players de IA, como AWS e Google, que já estão construindo usinas próprias para garantir suprimento contínuo. No entanto, essa corrida cria um dilema político: enquanto a Casa Branca apoia a expansão da IA como prioridade nacional, governos estaduais enfrentam pressão popular contra o repasse de custos aos consumidores. O timing coincide com uma janela crítica para os EUA recuperarem liderança tecnológica global, mas o risco de backlash ambiental e tarifário é alto. A escolha pelo gás natural, em vez de acelerar renováveis, sugere uma aposta de curto prazo que pode comprometer metas climáticas de longo prazo.