Israel busca apoio da ultradireita europeia apesar de legado antissemita
Estratégia de Netanyahu visa contornar isolamento internacional, mas pode custar credibilidade moral
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
O governo de Israel, liderado por Binyamin Netanyahu, está buscando apoio de partidos de ultradireita na Europa, apesar do histórico antissemita de algumas dessas formações políticas. A estratégia surge em um contexto de crescente isolamento internacional devido à condução da guerra em Gaza. Recentemente, o ministro israelense Amichai Chikli defendeu publicamente Jordan Bardella, líder do Reunião Nacional francês, após revelações sobre escritos antissemitas atribuídos a ele. Chikli destacou o apoio de Bardella contra o Hamas e sua visita aos locais do ataque de 7 de outubro de 2023. Israel também normalizou relações com o Partido da Liberdade austríaco (FPÖ), fundado por ex-nazistas, e vem cortejando líderes de ultradireita na Suécia, Espanha e Reino Unido. Apenas o partido alemão AfD permanece à margem dessa aproximação. Segundo o ex-embaixador israelense na Alemanha Jeremy Issacharoff, esses partidos buscam um 'certificado kosher' para se distanciar de seu passado antissemita, mas a estratégia pode prejudicar a reputação de Israel e as comunidades judaicas locais.
A aproximação de Israel com a ultradireita europeia revela uma estratégia de sobrevivência política em um cenário de crescente isolamento. Netanyahu, enfrentando críticas internacionais pela guerra em Gaza e pressões domésticas, busca aliados dispostos a apoiar sua agenda sem questionamentos. A defesa de Bardella, apesar de seu histórico antissemita, mostra que o governo israelense prioriza o apoio político imediato sobre valores de longo prazo. A mudança de postura em relação ao FPÖ austríaco, antes evitado por sua ligação com o nazismo, indica que o cálculo político supera considerações históricas. O fato de apenas o AfD alemão permanecer excluído sugere que há limites táticos nessa aliança, possivelmente devido à sensibilidade do eleitorado judeu na Alemanha. Essa estratégia, porém, pode ter custos: ao se associar a grupos com histórico antissemita, Israel arrisca minar sua própria narrativa de combate ao antissemitismo e alienar comunidades judaicas na diáspora que são alvo desses mesmos grupos. A curto prazo, garante apoio político; a longo prazo, pode corroer a posição moral de Israel no cenário internacional.