Klopp enfrenta o tabu: o técnico da Alemanha tenta resgatar o patriotismo das mãos da extrema-direita
Em meio à ascensão da AfD, treinador propõe 'patriotismo positivo' para dissociar orgulho nacional do extremismo político
Jürgen Klopp escolheu seu primeiro ato político como técnico da Alemanha: disputar o significado da bandeira. Em coletiva para anunciar os convocados para a Liga das Nações, o carismático treinador - numa referência velada à vitória eleitoral da extrema-direita na Saxônia-Anhalt - afirmou que 'não quer deixar o orgulho nacional nas mãos das pessoas erradas'. A fala é um movimento arriscado num país onde manifestações de patriotismo ainda carregam o peso histórico do nazismo. Com um boné da Adidas nas cores nacionais, Klopp tentou rebranding emocional: propôs trocar 'orgulho nacional' por 'patriotismo positivo', definido como amor ao país combinado com abertura à diversidade. O discurso mostra como, na Alemanha pós-2024, até um técnico de futebol é forçado a atuar como ator político. Resta saber se a torcida vai acompanhar o roteiro.