Lula busca jovens e nordestinos em ato estratégico na Paulista
Manifestação tenta reverter desvantagem nas pesquisas com foco em eleitorado-chave
O presidente Lula (PT) reuniu milhares de apoiadores em um ato na Avenida Paulista neste domingo (11), em uma tentativa de reverter o cenário desfavorável nas pesquisas para o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Com o evento batizado de 'Marcha pela Democracia', o discurso foi direcionado especialmente ao público jovem, com Lula admitindo erros na conexão com essa parcela do eleitorado e prometendo uma 'revolução tecnológica' em um eventual novo mandato. A mobilização contou com a presença de governadores petistas do Nordeste, região-chave para a estratégia eleitoral, e ocupou praticamente toda a extensão da avenida, sendo considerada a maior manifestação da esquerda no local desde os protestos contra o governo Jair Bolsonaro. Pesquisas recentes mostram Flávio Bolsonaro à frente com 52% contra 48% de Lula em votos válidos.
O ato na Paulista expõe três jogadas estratégicas do PT: primeiro, o reposicionamento tardio para capturar o eleitorado jovem, após anos de desconexão geracional que custou caro nas urnas. Segundo, a tentativa de reativar a máquina nordestina, trazendo governadores da região para um palco em São Paulo - estado com alta concentração de descendentes nordestinos. Por fim, a escolha do local não é casual: ocupar a Paulista, epicentro dos protestos anti-Bolsonaro, busca reviver o sentimento de 2022, quando a esquerda mobilizou massas contra o então presidente. O timing revela urgência: com menos de três semanas para o segundo turno e atrás nas pesquisas, o PT precisa converter militância em votos concretos, enquanto tenta frear a abstenção entre seus eleitores tradicionais - um desafio considerando o desânimo palpável após a derrota no primeiro turno.