Minoritários da MBRF contestam uso de jato por controlador
Empresa afirma que uso de aeronave em viagens pessoais foi aprovado e está dentro da lei.
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
Acionistas minoritários da MBRF, empresa resultante da fusão entre Marfrig e BRF, contestam o uso de um jato executivo Gulfstream G650 da empresa pelo controlador e presidente do Conselho de Administração, Marcos Molina, para viagens pessoais. A situação ganhou destaque após Molina utilizar a aeronave para viajar à Europa neste mês, onde sua filha se casou no Lago di Como, na Itália. A cerimônia também chamou atenção pela presença do ministro Gilmar Mendes, amigo de Molina há décadas. Os minoritários alegam que o uso do avião pode ser ilegal do ponto de vista tributário e questionam se está em conformidade com a Lei das S.A., que proíbe o uso de bens da companhia em benefício próprio sem aprovação da assembleia ou do conselho. A MBRF rebate, afirmando que o uso do jato em viagens pessoais faz parte do pacote de benefícios aprovado pelo conselho e que todas as obrigações tributárias foram cumpridas. A empresa também cita que o valor total de benefícios para o conselho está detalhado no formulário de referência, estimado em R$ 2,29 milhões. O custo estimado do voo para a Europa varia entre R$ 410 mil e R$ 435 mil.
O confronto entre minoritários e Marcos Molina na MBRF não é apenas uma disputa sobre o uso de um jato executivo, mas um reflexo de tensões latentes entre controladores e acionistas minoritários em empresas de capital aberto. A fusão entre Marfrig e BRF, que criou a MBRF, já carregava histórico de conflitos de governança corporativa. O uso de bens da empresa para fins pessoais por executivos de alto escalão é um tema sensível, especialmente em um momento de crescente pressão por transparência e responsabilidade fiscal. A presença do ministro Gilmar Mendes no casamento de Molina adiciona uma camada política ao caso, sugerindo possíveis alianças que podem influenciar futuras decisões estratégicas da empresa. A MBRF insiste que o uso do jato foi aprovado pelo conselho e está dentro da lei, mas os minoritários veem isso como um exemplo de abuso de poder por parte do controlador. A questão tributária levantada pelos minoritários pode ser um ponto de pressão adicional, já que a Receita Federal tem aumentado a fiscalização sobre benefícios indiretos a executivos. O timing do caso, em meio a uma crise no STF, sugere que Molina pode estar buscando consolidar sua posição diante de possíveis desafios internos.