Neymar, o ator indispensável em um teatro de riscos calculados
Cuca exalta estrela que 'encorpa a equipe', mas sabe que o espetáculo precisa de pausas estratégicas
O Vila Belmiro assistiu a mais um ato da peça 'O Retorno': Neymar, ainda coxo de confiança, decidiu nos pênaltis o empate contra o Flamengo. Cuca, mestre de cerimônias pragmático, aplaudiu o espetáculo mas segurou o desejo da plateia por ver a dupla com Coutinho. 'Muito cedo', avisou o técnico, lembrando que estrelas em recuperação queimam etapas - e times - quando aceleradas sem critério. O camisa 10 santista, que começou no banco, confirmou a lei não escrita do futebol brasileiro: mesmo a 70%, seu carisma técnico altera a gravidade dos jogos. Enquanto isso, Cuca gerencia expectativas como quem controla vazamento em barragem - sabe que o desastre está sempre a um excesso de confiança. A próxima cena, contra o Atlético-MG, já tem seu suspense: Neymar atuará ou será poupado? O técnico, como bom diretor, prefere o clímax controlado ao final feliz precipitado.