O declínio estratégico de Trump
Queda nas pesquisas e medidas extremas revelam jogo de poder complexo
A popularidade de Donald Trump atinge seu menor índice histórico, com apenas 29% de aprovação segundo o American Research Group. As eleições de meio de mandato nos EUA, marcadas para novembro, podem representar um ponto de inflexão, com os republicanos em risco de perder o controle tanto da Câmara quanto do Senado. Essa mudança permitiria ao Congresso investigar a fundo as ações do presidente, incluindo sua controversa gestão da guerra contra o Irã. Nas Nações Unidas, Trump chocou ao ameaçar "aniquilar" o Irã, enquanto rejeitava propostas de negociação. O conflito já impacta a economia global, com o bloqueio no Estreito de Ormuz e ataques a infraestrutura petrolífera elevando os preços de combustíveis e alimentos. Na frente doméstica, Trump intensificou seu ataque à imprensa, banindo veículos como CNN, MS Now e Politico da Casa Branca sob a acusação de "fake news", medida considerada inconstitucional. Em resposta, o press pool da Casa Branca anunciou boicote coletivo às coberturas presidenciais.
O aparente declínio de Trump esconde uma dinâmica de poder mais complexa. A queda nas pesquisas coincide com manobras estratégicas: a escalada bélica no Oriente Médio serve tanto para mobilizar sua base radical quanto para criar um cenário de crise que justifique medidas autoritárias. O timing das ameaças ao Irã - semanas antes das eleições - não é acidental. Da mesma forma, o ataque à imprensa, embora impopular, fortalece sua narrativa de 'presidente perseguido'. Os republicanos enfrentam um dilema: abandonar Trump pode custar-lhes o apoio da base, mas sustentá-lo pode significar perdas ainda maiores no Congresso. Enquanto isso, a indústria de combustíveis fósseis, tradicional aliada de Trump, beneficia-se diretamente da crise no Oriente Médio, com preços do petróleo em alta. O que parece ser fraqueza pode ser, na verdade, uma jogada calculada para consolidar poder através do caos controlado.