PF investiga possível favorecimento ao Banco Master em fundo de previdência de Maceió
Consultoria Crédito e Mercado teria direcionado R$ 97 milhões em investimentos sob suspeita de terceirização indevida
A Polícia Federal, em operação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU), apura a atuação da consultoria Crédito e Mercado no direcionamento de R$ 97 milhões em investimentos do fundo de previdência dos servidores de Maceió (Iprev) para o Banco Master. Segundo a PF, a consultoria teria assumido tarefas que eram de competência do próprio instituto de previdência, como o credenciamento do banco e a validação de análises, em uma possível 'terceirização indevida'. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou o bloqueio de bens do presidente da consultoria, Renan Calamia, e a realização de buscas na sede da empresa em São Paulo. A Crédito e Mercado nega as acusações, afirmando que apenas elaborou pareceres técnicos e não participou da movimentação de recursos. Calamia já foi condenado por gestão temerária em outro caso envolvendo investimentos de um fundo de previdência.
A operação da PF revela um padrão de atuação questionável envolvendo a Crédito e Mercado e fundos de previdência municipais. Renan Calamia, presidente da consultoria, já foi condenado por gestão temerária em outro caso, sugerindo uma repetição de práticas de risco. A suspeita de terceirização indevida de competências do Iprev Maceió aponta para uma possível falha na governança do fundo, que teria delegado decisões cruciais a uma consultoria externa. O Banco Master, beneficiário dos investimentos, emerge como o grande favorecido, enquanto os servidores de Maceió podem ter sido expostos a riscos desnecessários. O timing da operação, após uma condenação prévia de Calamia, sugere que a PF está atenta a um possível esquema recorrente envolvendo consultorias e fundos públicos. A negação da Crédito e Mercado contrasta com as evidências apresentadas pela PF, indicando uma disputa narrativa que ainda pode se prolongar.